O que se foi
Muitas vezes já não sei o que pensei, o que senti, ou amei. E o ódio, a mágoa? Esses se vão, e fica um vácuo. Para mim é tão insípido memorizar o passado, que muito dele se foi à indiferença.
De repente, deparo-me com coisas que já não imaginava e pergunto se sou eu ainda a mesma dentro de mim.
Para não ficar na poeira da história, nem morto naqueles abolidos sentimentos, deixo algo que escrevi entre 2005/2006.
"Talvez o segredo
das infinitas constelações
não supere o prazer
em sentir
seus aveludados carinhos
e o efeito de confortantes dizeres.
Que declarariam os arcanjos
ao se deleitarem em divinas canções?
O prenúncio do milagre do amor.
Olhos estáticos mas sonhadores.
Onipresença.
Palavras perfumadas,
ora ressoantes ora a ceder lugar
a um silêncio preenchedor.
Meus sentimentos,
por cujos reflexos são responsáveis doces palavras,
enobrecem-me o coração - antes arisco...
Agora amparado..."
